A Polícia Civil do Paraná concluiu que a queda de um carro no Rio Paraná, em Porto Rico, no Noroeste do estado, não foi um acidente. Segundo o inquérito finalizado nesta sexta-feira (15), Márcio Talaska, de 38 anos, teria jogado o veículo de forma proposital nas águas do rio, causando a morte da esposa, Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, e da filha do casal, Maria Laura Roman Talaska, de 3 anos.
O homem foi indiciado por feminicídio pela morte da companheira e por vicaricídio pela morte da criança. Conforme a investigação, as duas vítimas morreram por afogamento.
De acordo com a delegada Iasmin Gregório, responsável pelo caso, os laudos periciais descartaram falhas mecânicas que pudessem justificar a queda do veículo no rio. A análise das câmeras de segurança também apontou que Márcio conduzia o carro no momento do ocorrido e não apresentava sinais de desorientação durante o trajeto.
“Não havia um motorista perdido ou pedindo informações para sair da cidade. A investigação conclui que não foi um acidente, mas uma ação proposital”, afirmou a delegada.
As investigações também apontaram contradições no depoimento inicial do suspeito. Em um primeiro momento, ele afirmou que a esposa dirigia o veículo e teria errado o caminho. No entanto, as imagens obtidas pela Polícia Civil mostraram que ele estava ao volante.
Outro ponto destacado no inquérito foi o comportamento do investigado após o carro já estar submerso. Segundo a delegada, depoimentos e imagens indicam que Márcio conseguiu sair do veículo nadando com facilidade, mas demorou para pedir socorro.
Um pescador que estava próximo ao local relatou que o homem saiu da água e gritou que a esposa e a filha haviam morrido.
“Na condição humana, um pai ou uma mãe tentaria salvar primeiro o filho antes de deixar o veículo”, afirmou a delegada ao comentar o caso.
Ao longo da investigação, 11 pessoas foram ouvidas, entre familiares e amigos que participaram de uma confraternização com o casal horas antes da tragédia.
Segundo a Polícia Civil, testemunhas relataram um clima de tensão entre Márcio e Iria durante o encontro familiar. A situação teria começado após a mulher escolher uma música relacionada à traição para tocar durante a confraternização. Para os investigadores, esse episódio é considerado uma possível motivação para o crime.
Márcio Talaska está preso preventivamente desde o dia 8 de maio. A defesa informou que só irá se manifestar após ter acesso completo ao processo.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que irá analisar o caso e decidir se apresenta denúncia formal à Justiça.














