Investigações do Gaeco apontam que nove policiais militares de Céu Azul e um policial civil de Vera Cruz do Oeste utilizavam a própria estrutura do Estado — como viaturas, drones e câmeras de monitoramento — para cometer crimes na região de fronteira. O grupo realizava abordagens irregulares a veículos carregados com produtos vindos do Paraguai.
De acordo com a promotora Juliana Stofela da Costa, o esquema cobrava uma propina fixa de R$ 300 por veículo para garantir o "passe livre" das mercadorias estrangeiras, evitando a fiscalização regular. Além da extorsão, os policiais são acusados de desviar mercadorias apreendidas, com foco em eletrônicos de alto valor, que eram retidos para benefício próprio em vez de serem encaminhados aos órgãos competentes.
A operação teve início após a denúncia de um transportador que teve dois celulares desviados durante uma abordagem. Os investigados responderão pelos crimes de corrupção passiva, peculato, falsidade ideológica e comércio ilegal de armas de fogo. As identidades dos agentes não foram reveladas pelas autoridades.
Em nota, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou que conduz um procedimento investigativo para apurar a conduta do policial civil na esfera administrativa.
Em entrevista coletiva, o comandante do 5º Comando Regional da Polícia Militar, Valmir de Souza, informou que a instituição não "compactua com esse tipo de comportamento".
"Tudo será apurado no seu devido momento, garantindo a ampla defesa e o contraditório, mas com todo o rigor necessário para que nós mantenhamos a instituição ilibada. O nosso objetivo é fazer a apuração da responsabilidade de cada indivíduo, para que tenhamos a medida da culpabilidade exposta e eles sejam responsabilizados", disse o comandante.
A operação contou com o apoio do 6º Batalhão da Polícia Militar e das corregedorias das Polícias Militar e Civil do Paraná.













