A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (4) a segunda fase da Operação Lastro Oculto, que investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar e ocultar recursos obtidos com a entrada irregular de mercadorias do Paraguai no Brasil.
A ação foi realizada em Foz do Iguaçu e contou com o cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão, todos expedidos pela Justiça. Durante as diligências, os agentes localizaram uma passagem subterrânea clandestina que pode ter sido utilizada pelo grupo para o transporte oculto de produtos descaminhados.
Segundo a Polícia Federal, a estrutura foi encontrada em um dos endereços alvo da operação e fazia ligação entre imóveis ocupados por empresas. A suspeita é de que o túnel fosse utilizado para transferir mercadorias de um estabelecimento para outro sem passar pelos controles de fiscalização.
A entrada da passagem estava soldada, e foi necessário o apoio do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná para garantir o acesso seguro ao local. A estrutura e os materiais encontrados serão analisados pelos investigadores para auxiliar no avanço do inquérito.
A nova fase da operação teve como base informações obtidas durante a primeira etapa da investigação, além da análise de documentos e outros elementos coletados pela Polícia Federal.
Conforme as apurações, o grupo investigado prestava serviços para comerciantes brasileiros e empresários estabelecidos em Ciudad del Este, no Paraguai, interessados em introduzir mercadorias no Brasil sem o recolhimento dos impostos e sem seguir os procedimentos legais.
A organização teria uma estrutura dividida em diferentes áreas, envolvendo armazenamento de produtos, transporte terrestre e fluvial, preparação de veículos, manutenção de depósitos clandestinos, controle financeiro e pagamentos relacionados às atividades ilegais.
As investigações também apontaram indícios de lavagem de dinheiro. Segundo a PF, parte dos valores obtidos com as atividades criminosas teria sido utilizada para a compra de veículos e imóveis em Foz do Iguaçu.
Há ainda suspeitas de que empresas tenham sido utilizadas para ocultar o patrimônio do grupo e que recursos de origem ilícita tenham sido aplicados na construção de um hotel no município.
Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contrabando e descaminho, conforme a participação individual de cada suspeito.
O nome da operação, “Lastro Oculto”, faz referência ao patrimônio que, segundo a investigação, teria sido acumulado pelos envolvidos sem uma origem lícita aparente.












